Rescisão do Contrato de Compra e Venda de Imóvel na Planta: Entenda Seus Direitos

Documento sobre a rescisão do contrato de compra e venda de imóvel na planta sobre a mesa

Adquirir um bem imóvel é uma das decisões financeiras mais relevantes na vida de uma pessoa ou família. No entanto, mutações na condição financeira ou mudanças nos planos pessoais podem tornar inviável o prosseguimento do negócio. Nesses cenários, compreender como funciona a rescisão do contrato de compra e venda de imóvel na planta torna-se indispensável para proteger o patrimônio investido e evitar imposições abusivas.

Neste artigo, explicamos os aspectos essenciais que regem o encerramento antecipado das promessas de compra e venda imobiliária, destacando os limites de retenção de valores, a forma de restituição do saldo pago e os cuidados indispensáveis antes de formalizar qualquer termo de distrato com a incorporadora.

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O conceito de rescisão e a autonomia do adquirente

A promessa de compra e venda de imóvel em fase de construção gera obrigações recíprocas entre o adquirente e a construtora. Quando o comprador decide interromper o pagamento das parcelas por vontade própria ou impossibilidade financeira, opera-se a necessidade de resilição contratual. O direito de desistir da aquisição é amplamente reconhecido pelo ordenamento jurídico brasileiro, impedindo que a pessoa seja compelida a manter um vínculo contratual insustentável.

É fundamental diferenciar o desfazimento provocado por conveniência ou impossibilidade do comprador daquele motivado por inadimplemento da própria construtora. Essa distinção define o percentual de devolução do dinheiro já investido e a responsabilidade pelas despesas administrativas do empreendimento.

Desistência por iniciativa do comprador

Quando a iniciativa do encerramento é do promitente comprador, a legislação autoriza que a incorporadora retenha uma fração do montante efetivamente pago para cobrir custos operacionais, publicidade e despesas administrativas relativas à unidade vendida.

Rescisão fundada em descumprimento da empresa

Se o motivo da ruptura contratual for imputável unicamente à construtora, como no descumprimento injustificado do prazo limite para a entrega do bem ou em alterações unilaterais do projeto, a devolução das quantias quitadas deve ser integral, acrescida de correção monetária e eventuais reparações previstas no contrato ou na lei.

Regras de devolução e retenções autorizadas pela legislação

A norma que rege a matéria estabelece parâmetros objetivos para equilibrar os interesses do consumidor e a saúde financeira das obras imobiliárias. As penalidades contratuais impostas em caso de desistência involuntária ou voluntária devem respeitar limites razoáveis, sendo ilegal a perda total das prestações pagas.

  • Cláusula penal e retenção: O percentual deductible sobre o valor pago destina-se ao ressarcimento de encargos da vendedora, guardando proporcionalidade com os parâmetros fixados na legislação imobiliária;
  • Patrimônio de afetação: Em empreendimentos submetidos ao regime de afetação, a retenção pode obedecer a teto diferenciado para assegurar a conclusão da obra em benefício dos demais adquirentes;
  • Comissão de corretagem: Os valores eventualmente pagos a título de intermediação imobiliária, desde que destacados previamente no instrumento, possuem regramento específico e geralmente não integram o montante a ser reembolsado em caso de desistência sem culpa da empresa.

A devolução do montante apurado não pode ser protelada de forma indefinida. A restituição deve observar o prazo estipulado pela legislação vigente após a formalização do encerramento contratual ou do habite-se do empreendimento, a depender das particularidades de cada contratação.

Cuidados essenciais antes de assinar o termo de distrato

Diante da solicitação de desfazimento do vínculo, é frequente que as construtoras apresentem minutas pré-elaboradas contendo cláusulas de quitação irrevogável e retenções desproporcionais aos limites permitidos pelo direito imobiliário. Ao assinar um documento com renúncia ampla de direitos, o comprador pode inviabilizar a cobrança posterior das diferenças devidas.

Entre os cuidados fundamentais para resguardar o patrimônio antes do encerramento amigável, destacam-se:

  • Conferência do histórico de pagamentos: Exigir o extrato financeiro consolidado contendo todas as parcelas quitadas e a respectiva atualização monetária;
  • Análise da proporcionalidade das multas: Verificar se as deduções propostas coincidem com os percentuais normativos e não criam encargos abusivos suplementares;
  • Verificação do prazo de restituição: Impedir a concordância com parcelamentos excessivos ou pagamentos sem data definida.

A importância do suporte especializado no desfazimento do negócio

Negociar diretamente com o departamento jurídico ou comercial de grandes incorporadoras coloca o comprador em posição de vulnerabilidade técnica. Sem o conhecimento aprofundado dos entendimentos consolidados na jurisprudência e das regras específicas do setor, o adquirente pode aceitar deduções indevidas ou prazos abusivos para a devolução do seu capital.

A atuação estratégica mediante orientação jurídica permite examinar minuciosamente o instrumento de promessa de compra e venda, avaliar se as propostas de rescisão respeitam o equilíbrio contratual e adotar as providências adequadas, sejam elas no âmbito extrajudicial ou pela via judicial competente.

Perguntas frequentes

O comprador pode desistir da compra antes da entrega das chaves?

Sim, o adquirente tem o direito de solicitar o desfazimento do negócio antes do recebimento das chaves, sujeitando-se às regras contratuais e à legislação aplicável quanto à retenção de percentuais.

Qual a forma correta de reembolso dos valores pagos?

A devolução dos valores devidos ao comprador deve ocorrer em parcela única ou dentro dos prazos legais específicos, corrigida monetariamente, sendo vedado o parcelamento abusivo.

O que fazer se a construtora oferecer um valor de restituição muito baixo?

Antes de assinar qualquer termo de quitação plena, recomenda-se submeter o documento à análise jurídica especializada para verificar se a reterção respeita os limites legais.

Conclusão

O procedimento referente à rescisão do contrato de compra e venda de imóvel na planta exige cautela, atenção às cláusulas originais e rigor no cálculo das retenções permitidas. Compreender a legislação específica e agir preventivamente impede que a rescisão imobiliária acarrete perdas financeiras injustificadas ao promitente comprador.

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Dr. Igor Gandra Passeri

Advogado, Bacharel em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto.

Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.

Pós-graduado em Direito Médico e Hospitalar pela Universidade Pontifícia - Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RIO.

Pós-graduado em Direito Previdenciário pela Academia Ajurídica.

Pós-graduando em Direito Imobiliário pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.