Erros Comuns na Defesa do Processo Ético no COREN: O Que Evitar para Proteger Sua Carreira

Profissional de enfermagem avaliando documentos para evitar erros comuns na defesa do processo ético no COREN

Receber uma notificação do conselho regional de enfermagem gera apreensão imediata em enfermeiros, técnicos e auxiliares. Nesse cenário de alta carga emocional, cometer erros comuns na defesa do processo ético no COREN pode comprometer de forma irreversível uma trajetória profissional construída com dedicação ao longo dos anos. A atuação na área da saúde exige rigor técnico constante, mas até mesmo profissionais experientes podem se ver envolvidos em sindicâncias e procedimentos disciplinares decorrentes de conflitos no ambiente de trabalho, desentendimentos com equipes multidisciplinares ou denúncias infundadas de pacientes e familiares.

Compreender quais são as falhas estratégicas mais recorrentes durante o rito processual é o primeiro passo para adotar uma postura preventiva e segura. A legislação que rege a profissão, somada ao Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN nº 564/2017) e ao Código de Processo Ético (Resolução COFEN nº 706/2022), estabelece regras rígidas que exigem conhecimento técnico especializado para garantir o contraditório e a ampla defesa de forma efetiva.

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O Perigo de Responder à Notificação Inicial de Forma Impulsiva

O primeiro e mais grave equívoco cometido por grande parte dos profissionais é o envio de respostas informais ou declarações precipitadas logo após o recebimento da primeira notificação. Tomado pelo susto ou pela vontade de esclarecer o mal-entendido rapidamente, o profissional frequentemente redige explicações sem o devido respaldo jurídico, omitindo detalhes cruciais ou utilizando termos vagos que podem ser interpretados como confissão de culpa pela comissão instrutora.

A fase preliminar e a sindicância servem justamente para apurar a veracidade dos fatos denunciados. Qualquer manifestação escrita enviada sem planejamento passa a integrar os autos e vincula o profissional ao longo de todo o procedimento disciplinar. Modificar uma versão apresentada inicialmente gera contradições perante os conselheiros, enfraquecendo a credibilidade dos argumentos defensivos nas fases seguintes, como na defesa prévia e na audiência de instrução.

A Falsa Impressão de que a Defesa Pessoal é Suficiente

Outro ponto crítico reside na crença equivocada de que a situação pode ser resolvida mediante conversas informais com chefias, diretores da instituição ou mesmo com os próprios membros do conselho. O processo ético obedece a formalidades legais estritas e exige argumentação técnica fundamentada nas leis do exercício profissional (Lei nº 7.498/86). A tentativa de se defender sem auxílio especializado geralmente resulta na perda de prazos fatais, na inobservância de nulidades processuais e na falta de técnica na produção de provas documentais e testemunhais.

Negligenciar a Documentação e as Anotações de Enfermagem

A prática da enfermagem é intrinsicamente ligada ao registro escrito. As anotações de enfermagem, o prontuário do paciente e os impressos próprios da instituição representam a principal linha de defesa em um processo ético. Um erro recorrente consiste em não reunir, arquivar ou analisar criticamente esses documentos antes de protocolar a defesa. Muitas vezes, o profissional confia apenas na memória para relatar um plantão ocorrido meses antes, ignorando que o ônus de demonstrar a correta execução do procedimento cabe a quem o realizou.

A ausência de registros detalhados ou a grafia incompleta nos impressos hospitalares podem ser interpretadas como falha na assistência. Contudo, quando o profissional conta com assessoria jurídica especializada, é possível confrontar o teor da denúncia com as normativas de preenchimento de prontuário, demonstrando que a rotina assistencial foi cumprida dentro dos limites operacionais disponíveis e dos protocolos estabelecidos pelo serviço de saúde.

  • Respostas precipitadas: redigir justificativas sem apoio técnico gera contradições perante a comissão;
  • Descuento com prazos: perder o limite temporal da defesa prévia resulta em preclusão e prejuízos irreparáveis;
  • Omissão documental: deixar de juntar provas materiais e registros de plantão fragiliza a tese de inocência.

Desconsiderar as Condições de Trabalho na Matéria de Defesa

Muitos profissionais enfrentam denúncias que decorrem diretamente de deficiências estruturais da instituição onde prestam serviços, como o déficit crônico de pessoal, a sobrecarga de atribuições, a falta de insumos básicos ou equipamentos inadequados. Um erro comum na defesa é focar a argumentação exclusivamente na conduta individual, esquecendo de demonstrar o contexto sistêmico em que o atendimento ocorreu.

A legislação e os princípios do direito administrativo disciplinar reconhecem que o trabalhador não pode ser responsabilizado por falhas estruturais imputáveis à gestão do estabelecimento de saúde. Documentar escalas de plantão, comunicações internas de advertência sobre falta de pessoal e registros de sobrecarga de trabalho são medidas indispensáveis para demonstrar que a responsabilidade civil e ética não recai de forma isolada sobre o profissional notificado.

Perguntas frequentes

Quais são os erros mais frequentes cometidos por profissionais ao receber uma notificação do COREN?

Os equívocos mais comuns envolvem responder à acusação de forma impulsiva sem assessoria jurídica, omitir documentos essenciais do prontuário e tentar justificar falhas técnicas sem embasamento nas normas da profissão.

Por que a defesa pessoal sem advogado ou especialista é considerada um risco tão alto?

Porque o profissional muitas vezes utiliza termos informais ou assume culpas indiretas em suas declarações escritas, fornecendo involuntariamente provas que serão usadas contra ele próprio durante a instrução do processo.

Como as condições de trabalho precárias podem influenciar na estratégia de defesa?

A falta de dimensionamento adequado de pessoal, sobrecarga de tarefas e escassez de insumos são argumentos técnicos relevantes para demonstrar que o erro não decorreu de negligência individual, mas de falhas sistêmicas da instituição.

Conclusão

Enfrentar uma sindicância ou um procedimento disciplinar exige cautela, estratégia e conhecimento técnico aprofundado das normas que regulam a enfermagem. Conhecer os erros comuns na defesa do processo ético no COREN permite que o enfermeiro, técnico ou auxiliar adote uma postura preventiva, resguardando seu registro profissional e sua reputação. A atuação de um escritório especializado em direito sanitário e defesa de profissionais da saúde faz toda a diferença para assegurar um rito processual justo e equilibrado.

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Dr. Igor Gandra Passeri

Advogado, Bacharel em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto.

Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.

Pós-graduado em Direito Médico e Hospitalar pela Universidade Pontifícia - Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RIO.

Pós-graduado em Direito Previdenciário pela Academia Ajurídica.

Pós-graduando em Direito Imobiliário pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.