Como um Advogado de Direito Médico Pode Ajudar no Seu Processo Ético no COREN

Ao receber uma denúncia no Conselho Regional de Enfermagem, muitos profissionais se perguntam o que, na prática, um advogado faria de diferente. A resposta está na especialização: um advogado de Direito Médico enxerga no processo ético aquilo que passa despercebido a quem não conhece a rotina assistencial nem o rito dos Conselhos de Classe. E é justamente nesses detalhes que costuma estar a diferença entre uma defesa genérica e uma defesa capaz de levar ao arquivamento dos autos.

Neste artigo, mostramos de forma concreta como esse profissional atua em cada fase do processo ético no COREN e o que muda na sua defesa.

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1. Lê os autos como quem entende de assistência, não apenas de processo

O prontuário, a evolução de enfermagem, a prescrição e a escala de plantão são o coração da maioria dos processos éticos. Um advogado de Direito Médico lê esses documentos com repertório técnico, identificando o que confirma a regularidade da conduta e o que a acusação interpretou de forma equivocada.

Essa leitura qualificada é o ponto de partida de tudo. Sem ela, argumentos decisivos simplesmente não são percebidos.

2. Controla prazos e verifica a regularidade das intimações

O prazo de defesa é de 15 dias, contados da citação válida, conforme os artigos 28 e 33 da Resolução COFEN nº 706/2022. Mais do que anotar a data, o advogado confere como e quando a citação foi efetivada, pois o marco inicial varia conforme a forma da intimação (Art. 26).

Eventuais vícios nesse ato podem fundamentar preliminares de nulidade, uma oportunidade de defesa que costuma passar completamente despercebida por quem não domina o rito.

3. Identifica nulidades e teses preliminares

Antes mesmo de discutir os fatos, é preciso verificar se o processo é válido. Vícios na admissibilidade, na citação ou na produção das provas podem comprometer o próprio andamento do procedimento.

Denúncias genéricas, sem individualização da conduta ou desprovidas de elementos concretos, também podem e devem ser questionadas logo no início.

4. Reposiciona a conduta dentro da dinâmica da equipe

Aqui está uma das maiores contribuições da especialização. A assistência em saúde é multiprofissional, com divisão de responsabilidades, cadeia de comando e protocolos institucionais. Uma denúncia que atribui a um único profissional aquilo que decorre da dinâmica da equipe, da sobrecarga ou de falha estrutural da instituição precisa ser enfrentada com esse repertório.

O advogado de Direito Médico sabe demonstrar a ausência de individualização da conduta e a inexistência de nexo causal entre o ato do profissional e o suposto dano.

5. Confronta cada artigo imputado com o Código de Ética

Não basta negar os fatos. É preciso verificar se a conduta descrita corresponde efetivamente ao dispositivo invocado do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN nº 564/2017). Muitas imputações não resistem a esse confronto artigo a artigo.

Esse trabalho exige domínio do texto normativo e da forma como o Conselho o interpreta na prática.

6. Constrói a estratégia, do início ao recurso

A defesa não é uma peça isolada, é uma linha coerente que atravessa todo o processo: defesa prévia, instrução, oitivas, alegações finais e, se necessário, recurso ao COFEN, no prazo de 15 dias e com efeito suspensivo (Art. 90).

O pedido principal é sempre a absolvição com arquivamento dos autos, sustentado simultaneamente a teses subsidiárias de proporcionalidade, sem qualquer admissão de culpa.

7. Evita os erros que comprometem a defesa

Parte do trabalho é orientar o que não fazer. Entre os equívocos mais comuns e mais custosos:

  • prestar declarações precipitadas ou admitir falha sem análise técnica;
  • tentar acordo informal com o denunciante;
  • alterar ou complementar registros após o fato;
  • deixar o prazo correr aguardando uma solução espontânea.

Perguntas frequentes

Vale a pena contratar advogado se o Conselho nomeia um defensor dativo?

O defensor dativo é nomeado apenas quando o profissional não apresenta defesa no prazo (Art. 34 da Resolução COFEN nº 706/2022). A defesa passa a ser conduzida sem a sua escolha e sem a construção de uma estratégia individualizada, o que enfraquece o resultado.

Em que momento devo procurar o advogado?

O quanto antes, idealmente ao receber a notificação. A atuação desde o início permite preservar provas, observar prazos e estruturar uma defesa muito mais sólida.

A contratação garante o arquivamento?

Não existe garantia de resultado. Cada caso depende das circunstâncias e das provas. O que a atuação especializada faz é explorar ao máximo as fragilidades da acusação, buscando como pedido principal a absolvição e o arquivamento.

Conclusão

Um advogado de Direito Médico não apenas responde à denúncia: ele lê os autos com olhar clínico e jurídico, controla prazos, identifica nulidades, reposiciona a conduta dentro da dinâmica da equipe e constrói uma estratégia coerente até o recurso. Diante de um processo ético no COREN, é essa combinação de técnica e prática que protege a sua carreira e a sua habilitação profissional.

Foi notificado de um processo ético no COREN?

O prazo é de 15 dias e cada detalhe conta. Busque orientação jurídica especializada em Direito Médico para avaliar o seu caso e estruturar a melhor estratégia de defesa.

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Dr. Igor Gandra Passeri

Advogado, Bacharel em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto.

Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.

Pós-graduado em Direito Médico e Hospitalar pela Universidade Pontifícia - Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RIO.

Pós-graduado em Direito Previdenciário pela Academia Ajurídica.

Pós-graduando em Direito Imobiliário pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto FDRP-USP.